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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Os signos e a morte: homenagens póstumas e sepulturas singulares. (1)

Qual seria o último lugar em que você esperaria encontrar um tubarão?



Tá certo, esse seria um lugar bastante improvável. Mas, imagine que você está caminhando por um cemitério e se depara com esta lápide:



Conta-se que o ocupante deste túmulo, um veterano da Guerra da Coreia chamado Lester C. Madden (24/09), era tão fã do filme Tubarão, mas tão fã, obcecado mesmo, que quis ser imortalizado debaixo de uma lápide com o seláquio mais famoso do cinema.

"The shark grave", como é chamada, está no cemitério Allegheny, em Pittsburgh, Pensilvânia.


Não é pra menos. O filme não marcou apenas Madden, que ainda o tinha fresco na memória quando faleceu apenas oito anos depois de seu lançamento, mas toda uma geração que, graças a Steven Spielberg, descobriu o horror de se tomar um simples banho de mar, uma geração que adquiriu a consciência ao preço de um ingresso de que o mar não era seguro, mesmo onde desse pé. Tubarão causou uma histeria generalizada na época de seu lançamento, em 1975. As pessoas ficaram com pavor de entrar na água. Parece uma besteira nos dias de hoje, não é? Com tanto filme de tubarão digital voando pelos ares em tornados, na estratosfera e tudo mais...



... No entanto, leia estes relatos de testemunhas desse importante momento da história do cinema, retirados do site Quora, quando foi postada a pergunta "Quando Tubarão foi lançado em 1975, ele realmente deixou as pessoas com medo de entrar na água?":


Eu costumava amar o mar. (...)

Pouco tempo depois de assistir Tubarão, meus amigos e eu decidimos fazer um rápido bate-e-volta de Berkeley a Santa Cruz [Nota: cidades litorâneas da Califórnia, distantes entre uma e outra cerca de 1h30min de viagem de carro.] Enquanto estávamos na estrada, passamos por um cinema a céu aberto que estava passando Tubarão. Veja bem, estávamos indo para Santa Cruz e isso significava ir para a praia. Estávamos gritando para o motorista meter o pé no acelerador e tentando não olhar para a tela. Mas nós olhamos. Impossível não olhar!

No dia seguinte, já na praia, levei alguns minutos extras para me preparar psicologicamente pra passar da altura dos joelhos na água. E logo que uma pessoa começava a ir mais para o fundo, alguém já começava a entoar: "Tam Tam Tam Tam... [Nota: tema da apresentação de Tubarão]".

(Sed Chapman)



Eu vivo próxima às praias da costa norte de Massachusetts  a água é muito fria para tubarões, mas a maioria dos meus amigos estava morrendo de medo de entrar na água. Eu tinha 14 anos quando meus amigos e eu assistimos o filme no cinema. Aqui onde estamos, aproveitamos cada oportunidade que temos para ir à praia. Eu não tinha medo de entrar na água, mas muito menos pessoas estavam nadando naquele verão. O filme foi feito ao sul de onde estou, e as águas de Martha's Vineyard são muito mais quentes, então haveria uma chance maior de haver tubarões lá. Quando meu filho já tinha idade suficiente para assistir Tubarão pela primeira vez, ele só nadava em nosso lago local naquele verão.

(Melissa Jeswald)



Eu estava na equipe de natação do colegial e era salva-vidas, mas, durante um tempo, fiquei considerando seriamente a ideia antes de nadar em qualquer lugar, exceto numa piscina. Se fosse num pequeno lago do interior? Eu nadaria, mas meio que surtaria se esbarrasse com plantas ou qualquer outra coisa dentro d'água. No mar? Nem a pau. Mas aquele receio que eu tinha até que se dissipou razoavelmente rápido. Conheci pessoas que não entraram na água (nem num lago que fosse) durante anos.

(Philip Winters)



Quando eu tinha 8 anos eu assisti esse filme na praia com o meu pai e não entrei mais na água. Ficamos assim a semana toda!

(Max Ashby)



Eu entrei no mar só uma ou duas vezes depois de ver esse filme, e a última foi quando um peixe grande tocou na minha perna e eu saí imediatamente da água, quase me afogando no processo, tentando escapar porque estava muito assustada. Um amigo veio logo ao meu socorro, viu o que tinha acontecido e chamou os salva-vidas para fazerem uma varredura na água.

Veja bem, eu não estou sendo dramática ou exagerando, eu já havia sido salva-vidas e tido vários encontros próximos com tubarões, dentro e fora da água  e sabia que estava em pleno juízo das minhas faculdades mentais, inclusive até "lutei" contra um quando um deles mordeu um amigo meu. Mas esse filme foi pesado, marcou a mim e a muitos outros de uma forma profundamente aterrorizante. Aquela cena da abertura, além das outras cenas dramáticas, apavoraram-me pelo resto da vida. Não foi muito diferente do que Psicose fez à minha mãe, que nunca mais tomou banho com a porta destrancada. (...) Esses filmes mudaram as pessoas.

(Kathleen Grace)



Será que a obsessão de Lester C. Madden com o filme Tubarão faz um pouco mais de sentido agora?



Curiosidade:

Foi com toda essa onda de Tubarão que os críticos de cinema cunharam o termo "blockbuster" (traduzido aqui no Brasil como "arrasa-quarteirão"), designação utilizada não só para filmes que são sucesso de bilheteria, que trazem os espectadores de volta ao cinema para assisti-los mais de uma vez, mas que acabam tornando-se fenômenos culturais, inclusive objeto de debate mesmo passados anos ou décadas após sua estreia. O fato de ter chegado aos cinemas no comecinho do verão norte-americano, em 20 de junho de 1975, lançou também a tendência nos Estados Unidos de estrearem durante essa estação do ano superproduções que prometem atrair grandes audiências, os denominados "summer blockbusters".

Propaganda do filme da época: "Quantas vezes você assistiu Tubarão", pergunta o jornal.



Veja homenagens póstumas e sepulturas singulares em outros signos:

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