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sábado, 18 de março de 2017

O Blog dos Librianos assistiu Logan. E achou superidiota.


Clique aqui para ver o que já publicamos sobre Hugh Jackman (12/10).




Em matéria de interpretação (e roteiro), é muito mais difícil fazer humor do que drama. Fazer vilão, então, é a maior moleza para os atores. Quase qualquer um consegue ter sucesso na empreitada, porque as portas já estão abertas de antemão, as plateias estão ávidas para se deixar impressionar quando o assunto é “sério”. Exemplo disso é Anthony Hopkins. Por décadas, o ator shakespeariano interpretou com competência dezenas de papéis. Mas só estourou e marcou a memória do grande público quando encarnou Hannibal Lecter, em O Silêncio dos Inocentes. Se em comédia é tão difícil inovar, surpreender e fazer rir de verdade, não apenas sorrir, por que é, então, que continuam a desprezar comediantes nas premiações máximas? Por que, em contrapartida, qualquer filme “triste”, por mais idiota que seja, vira quase unanimidade entre críticos e público? Sem dúvida, confundem um tom solene e tristeza postiça com qualidade e profundidade. Parece ser este o caso de Logan. “Oh! Um filme de super-herói com densidade!” Antes fosse. Logan nada tem de denso. É um apanhado de “infelicidades” e declínios, durante mais de duas horas de projeção, para impressionar esse tipo de público e crítica. Na realidade, é uma bobajada sem tamanho e de infeliz só tem o roteiro.




Alguém deve ter pensado: “O Hugh Jackman já está envelhecendo (a aparição especial do Wolverine em X-men: Apocalipse, de bermudinha e descalço, maltrapilho como um mendigo velho contrastando com uma Jean Grey adolescente – Sophie Turner, a Sansa de Game of Thrones – já havia sido bastante bizarra e pra lá de constrangedora), vai ficar meio ridículo ele interpretar novamente um herói que sempre se regenera. Por outro lado, temos que espremer mais um pouco a franquia, antes de ressuscitá-la com um novo Wolverine”. Embora os produtores não tenham tido pudor algum em recomeçar o Homem-Aranha umas três vezes, com Wolverine resolveram fazer da despedida de Hugh Jackman a despedida do próprio mutante. E, então, partiram para o drama rasgado, lembrando apenas da batalha da Estátua da Liberdade e esquecendo de “detalhes” como o fato de que Xavier (interpretado pelo mesmo Patrick Stewart) já tinha sido morto pela Fênix em X-Men: A Batalha Final


Atenção, deste ponto em diante, o texto contém spoilers.


Então, como os realizadores desse Logan-dramalhão-mexicano optaram por afirmar que na batalha da Estátua da Liberdade a maioria dos X-Men havia morrido, só sobraram, segundo eles, o Xavier (ressuscitado, mas com noventa anos e demência senil), o Wolverine (motorista de Uber para ficar antenado com os “novos tempos”, embora o filme se passe no futuro, em 2029, e até lá talvez ninguém mais saiba o que é isso) e o Caliban (com uma maquiagem tão pesada que dá para ver a base branca meio rachada na boca e umas lentes de contato de festa de Halloween de escolinha), que, se fosse respeitada sua aparição em X-Men: Apocalipse, regularia em idade com Xavier.




Às vezes, quando nos deparamos com um filme muito tosco, ele até distrai, porque acabamos rindo muito nas piores cenas; nem para isso Logan serve: além de ser ruim de doer, o filme é arrastado e tedioso, e a única vontade que dá é a de a sessão acabar logo para irmos pra casa assistir a um bom seriado na Netflix.




Não! O Cinema não pode acabar assim, minguando, cada vez mais cedendo espaço para o streaming! Os filmes de super-heróis, que ainda se encontram entre as poucas produções capazes de lotar as salas de cinema que cada vez mais se esvaziam na era da internet e do dinheiro curto, não podem se dar ao luxo de querer revestir com uma “nova” roupagem a linguagem própria das HQs clássicas que divertem e empolgam. Logan se parece com aqueles road movies existenciais da década de 70, com muita melancolia e decadência, com anti-heróis desesperançados em vidas idem. Isso por si só já seria um despropósito, mas acontece que o filme também é ridículo e tem absurdos imperdoáveis no roteiro. Para começo de conversa, por que a filha do Wolverine (que ele não sabia que tinha e só reconhece no “leito” de morte, bem ao gosto das produções da Televisa) não salvou a enfermeira que a estava protegendo, já que, quando quis, arrancou até a cabeça de um vilão armado até os dentes? Por que todas aquelas crianças, capazes de levantar um tanque de guerra do chão com a força do pensamento e derrubá-lo em cima dos inimigos, congelar uma pessoa e despedaçá-la, matar com uma tremenda descarga elétrica etc., etc., estavam correndo no maior desespero de pessoas comuns pela floresta?





Por que elas dependiam apenas do alquebrado Wolverine para salvá-las, se a própria filha dele estava lutando com todo o vigor da juventude e ainda melhor que o pai, sem ao menos deixar cair a mochilinha cor de rosa das costas? O filme é tão canhestro que até o clássico do cinema que escolheram para homenagear e dar um fecho “emocionante” ao final do filme foi Shane (Os Brutos Também Amam, 1953) um faroeste superestimado com um herói pistoleiro de 1,60 de altura (Alan Ladd) e um garotinho chatíssimo que passa o filme todo gritando “Shane” com uma voz esganiçada! E o que foi aquela cena em que Logan chega ao refúgio das crianças (um quartel-general “provisório” todo construído em madeira, com telescópio e outros equipamentos que toda criança superpoderosa em fuga deve ter), que mais parecia a Terra do Nunca, e todas elas com suas próprias tesourinhas cortam ao mesmo tempo a barba do Wolverine? Quem quer que tenha tido a ideia da cena deveria ser expulso sumariamente da indústria cinematográfica. Ah, e não podemos esquecer de que tais crianças, criadas em laboratório e sem contato algum com o mundo, sabem dirigir automóveis e tudo...




Não, Logan não é um bom filme só porque é “triste”. É apenas uma coleção de desgraceiras e cenas risíveis. E Xavier ter posto uma feliz família de fazendeiros em perigo (sabendo disso), levando-os à morte só para poder dormir numa caminha limpa e cheirosa não faz jus ao personagem que sempre foi um sábio, um bastião da sensatez e da ética. Ou seja, nem morrer com a dignidade intacta permitiram ao personagem do honrado professor da escola dos X-Men nesse filme lamentável.




Stan Lee, o nonagenário criador desses e de tantos outros super-heróis, continua sensato e inteligente, ao contrário do que os criadores de Logan esperam de pessoas nessa faixa etária, e não pagou o mico de aparecer nesse filme como sempre costuma fazer nas produções da Marvel. E quando ele não aparece, pode ter certeza: ele já leu o roteiro, já viu o rumo que as coisas estão tomando e não endossou. Ele também não apareceu no último Quarteto Fantástico e não por acaso o filme foi um fracasso retumbante.





Curiosidade: os fãs de Wolverine que sempre esperaram o dia em que finalmente veriam Hugh Jackman envergar o clássico uniforme amarelo e preto do mutante também saíram frustrados de Logan. Entretanto, puderam ter um gostinho de como teria sido no Twitter do ator, que publicou uma foto sua a caráter:




2 comentários:

  1. Alguém tinha que dizer isso! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Os caras do lab ainda tinham o caliban pra encontrar a x23. O Professor Xavier envolveu a família nisso e eles acabaram morrendo...... se tivessem continuado fugindo como o Wolverine sugeriu e não fizessem um pit stop ...... pegou muito mal pro professor!!!

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